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''Respeitamos, mas não concordamos'', diz Gilberto Garcia, sobre a decisão da Justiça Eleitoral

Prefeito convocou a imprensa para prestar esclarecimentos sobre cassação
*Luis Gustavo, Da Redação / Imagens: Luis Gustavo/Jornal da Nova
23/02/2017 15h34
Prefeito Gilberto Garcia durante coletiva à imprensa / Imagens: Luis Gustavo/Jornal da Nova

Gilberto Garcia se pronunciou na manhã desta quarta-feira (23), sobre a decisão da Justiça Eleitoral de cassar o seu mandato de prefeito de Nova Andradina e do vice Newton Luiz Oliveira (Nenão).

 

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Em entrevista coletiva concedida à imprensa, o prefeito negou que tivesse conhecimento sobre qualquer irregularidade nas veiculações de inserções da Rádio Excelsior FM, reiterou sua confiança na Justiça e confirmou que após a publicação da sentença do juiz José Henrique Kaster Franco, apresentará defesa.

 

“Não serei afastado. Hoje nossa rotina foi a mesma e continuo a trabalhar por Nova Andradina. Eu continuo acreditando e muito na Justiça”, declarou logo no início do seu pronunciamento.

 

O gestor municipal disse que ainda não teve acesso a sentença e que faria sua análise diante do que foi noticiado nos veículos de comunicação. “Segundo as notícias publicadas, o peso do rádio foi fundamental na decisão do juiz para que a nossa vitória de 27 votos fosse decidida. O peso da Rádio Excelsior em Nova Andradina é muito grande, mas não tem nenhum “DNA” meu e nem do vice pedindo grade de propaganda publicitária eleitoral”, declarou Gilberto.

Vice-prefeito e diretor da Rádio Excelsior, Nenão acompanhou a coletiva - Foto: Luis Gustavo/Jornal da Nova

Numa análise mais incisiva e detalhada, o atual chefe do executivo afirmou que o rádio não teve a influência e o poder de decidir uma eleição. “Perdemos a eleição aqui por 290 votos, com todo o peso desta rádio. Em Nova Casa Verde, em que a Excelsior não é tão forte, a audiência maior é de uma rádio de Ivinhema e de uma rádio local, que é dirigida pelo seu Clodoaldo, que foi funcionário de confiança do ex-prefeito. Pela Casa Verde que o rádio, em tese, era do adversário, ganhamos por 320 votos. Então, não tem essa força toda. Tem que ter credibilidade, ir para a rua e pedir voto. Foi o que fizemos, sem dinheiro, não compramos voto nenhum. Fui casa por casa, apresentando nossas propostas à população”, enfatizou, sob os aplausos do público presente.

 

Em outro trecho da sua entrevista, Garcia comparou a eleição a uma guerra. “Uma eleição é feita de diversas batalhas, mas a grande guerra foi decidida dia 2 de outubro. Democraticamente, ganhamos a primeira guerra. Agora vem a guerra dos tribunais. Em tese, perdemos essa primeira batalha, mas é um combate muito longo juridicamente falamos, e temos convicção e acreditamos na Justiça. E nessas outras batalhas vamos ganhar a guerra. Confio na Justiça e, sobretudo, em Deus”, frisou.

 

Por diversas vezes, o prefeito disse que respeita a decisão da Justiça, mas tem o direito de contestar.  “Respeitamos, mas não concordamos, em absoluto. Isso é um direito nosso, temos o direito de nos defender”, disse, sob aplausos de secretários de governo e de dezenas de correligionários e simpatizantes da administração. Aliás, em vários momentos, o prefeito foi interrompido em seu discurso por aplausos e manifestações de apoio. Houve quem reclamou que não parecia se tratar de uma coletiva de imprensa, mas de uma reunião política eleitoral.

 

Questionamentos da imprensa

Sobre irregularidades na veiculação de inserções no rádio

Respondendo a perguntas dos órgãos de imprensa locais, Gilberto Garcia negou que tinha conhecimento de qualquer irregularidade nas veiculações de inserções na Rádio Excelsior e afirmou que a emissora teria sido absolvida. “Parece que eu sou o operador e fui lá e coloquei um horário ou outro horário. A gente respeita a sentença, mas tenho todo direito a contestar e vou fazê-lo. A rádio que veiculou foi absolvida. Eu e o Nenão, nossa chapa, foi condenada. Mas o Nenão é diretor, foi afastado, não participou nenhum dia do rádio. Ah, mas, supostamente, pode ter participado. Mas supostamente tirar um mandato democraticamente eleito, acho é exagero”, disse, referindo-se a sentença.

Além da imprensa, vereadores, secretários, assessores e correligionários participaram da coletiva - Foto: Luis Gustavo/Jornal da Nova

E continuou: “Se houve a tentativa da rádio de nos beneficiar, não foi a pedido nosso. É claro que está trazendo dor de cabeça, mas nos tribunais vamos vencer. Se rádio ganhasse eleição, vários radialistas que foram candidatos estariam eleitos e não foi isso o que aconteceu”.

Postagem no facebook de Gilberto Garcia - Foto: Reprodução/Facebook

Quanto a postagem nas redes sociais após ser ventilada uma possível cassação de mandato, o prefeito disse que não foi sarcástico. “Os adversários estão todos vibrando, então, é claro que tem mimimi, já estão colocando gente no nosso lugar. E outra coisa, em 2 de outubro ganhamos a eleição democraticamente. É isso que não se conformam os derrotados. Precisa saber que 60% da população repudiou o prefeito anterior, que tem interesse nessa sentença”.

 

Contratação de advogados de defesa

O prefeito admitiu que teria feito contato com Valeriano Fontoura, um dos advogados mais renomados do Estado de Mato Grosso do Sul no que se refere a defesa de políticos, como André Puccinelli, Vander Loubet, Zeca do PT e outros nomes fortes do cenário político. “Confio na Justiça. Meu advogado continua sendo meu filho, Danilo Garcia. Agora, com suporte de outros advogados, entre eles, o Valeriano, até porque nos tribunais tem mais cancha, mas vamos atrás de outros que nos defendam a altura”.

 

Prefeito Gilberto Garcia permanece no cargo enquanto o processo está sob julgamento

“Para que não tenha dúvida para a população, continuo no cargo. Quem quiser assumir, tem que disputar eleição. Fomos condenados em primeira instância, mas nós temos todo o direito de recorrer. É um processo de longo prazo. Como eu disse, perdemos a primeira batalha e vamos vencer outras, mas no final, não tenho dúvidas, que sairemos vencedores”, concluiu. *Jornal da Nova






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